Especialista Chaiane de Almeida explica por que o corpo “grita” quando a mente silencia e como a terapia pode interromper o ciclo de sofrimento invisível vivido por milhões de brasileiros
O Brasil vive uma epidemia silenciosa de ansiedade. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país lidera os índices globais de transtornos de ansiedade, afetando milhões de pessoas que seguem funcionando, trabalhando e cuidando da rotina, mesmo em constante estado de exaustão emocional.
É nesse contexto que o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à saúde mental, propõe uma reflexão urgente: viver em alerta constante não é normal — é um pedido de cuidado. Para a terapeuta cognitivo-comportamental e hipnoterapeuta clínica Chaiane de Almeida, a ansiedade não deve ser tratada como fraqueza ou falha individual, mas como um sinal legítimo de sobrecarga emocional prolongada. “A ansiedade surge quando a pessoa suporta mais do que consegue elaborar emocionalmente. Não é falta de força, é excesso de exigência”, explica.
Segundo a especialista, um dos grandes desafios no diagnóstico está na chamada ansiedade funcional — aquela que não paralisa, mas adoece em silêncio. Pessoas produtivas, responsáveis e altamente cobradas socialmente acabam normalizando sintomas como insônia, tensão muscular, dores recorrentes, aperto no peito, falta de ar e crises de pânico, sem perceber que o corpo está operando em modo de sobrevivência. “A mente tenta seguir, mas o sistema nervoso não esquece. Em algum momento, o corpo cobra essa conta”, afirma.
Chaiane destaca que a ansiedade não se manifesta apenas nos pensamentos acelerados, mas principalmente no corpo. Alterações na respiração, contração muscular constante e hipervigilância são respostas automáticas aprendidas ao longo da vida. Por isso, estratégias baseadas apenas em controle racional tendem a falhar.
“Ignorar não cura. Controlar também não. A ansiedade precisa ser compreendida e regulada, não combatida”, pontua.

No tratamento, a terapeuta atua integrando Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Hipnose Clínica, abordagem que permite trabalhar simultaneamente os padrões de pensamento e as respostas emocionais automáticas. Enquanto a TCC organiza a interpretação cognitiva da realidade, a hipnose clínica acessa memórias emocionais profundas onde muitas respostas de medo foram aprendidas.
“A hipnose não é perda de controle. É foco terapêutico. Ela permite ressignificar experiências e reduzir respostas automáticas de alerta. Tudo o que foi aprendido emocionalmente pode ser reaprendido”, explica.
No consultório, Chaiane observa que a autocobrança excessiva é um dos traços mais comuns entre pessoas ansiosas. “São indivíduos sensíveis, empáticos e inteligentes, mas extremamente duros consigo mesmos. Quando a ansiedade diminui, não surge apenas calma — surge identidade”, relata.
Para a especialista, o Janeiro Branco não deve ser encarado como um movimento de otimismo vazio, mas como um convite à responsabilidade emocional. “Romantizar a exaustão é perigoso. Buscar ajuda não é fraqueza, é coragem”, conclui.
A mensagem central da campanha, reforça Chaiane, é clara: ansiedade não define quem a pessoa é. Ela apenas revela que algo precisa ser cuidado — não silenciado.
Chaiane de Almeida
Terapeuta Cognitivo-Comportamental (TCC) | Hipnoterapeuta Clínica
Especialista em ansiedade, traumas emocionais e reprogramação emocional
chaianedealmeida.com.br
