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Entenda o que são os perfis de investidor e se é possível descobrir o seu

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quem começa a dar os primeiros passos no mundo dos investimentos costuma se deparar rapidamente com rótulos como conservador, moderado e agressivo. Eles aparecem nos aplicativos dos bancos, em relatórios de corretoras e em grande parte das recomendações financeiras, mas nem sempre é claro o que eles significam ou por que existem.

Essas classificações foram adotadas pelas instituições financeiras em resposta a uma exigência regulatória da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que determina que bancos, corretoras e demais intermediários só podem recomendar produtos adequados ao chamado “perfil do investidor”. Com isso, surgiram os testes de perfil que você provavelmente já teve que responder ao tentar começar a investir.

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) estabelece que as instituições adotem ao menos três categorias –conservador, moderado e agressivo– seguindo parâmetros definidos em seu código de distribuição.

O planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, diz, que os perfis de investidor nascem da regulação. Como cada produto financeiro tem características distintas –como risco, volatilidade e prazos– e nem todos os investidores estão preparados para lidar com essas variações, a regra busca oferecer uma camada mínima de proteção.

Essa avaliação é feita, então, por meio de um questionário que reúne informações sobre o prazo pretendido para o investimento, a tolerância a risco, os objetivos declarados, a situação financeira (incluindo receitas e patrimônio) e o conhecimento ou experiência do cliente com produtos do mercado.

O assessor de investimentos Michael Viriato, colunista da Folha, afirma que os perfis usados pelas instituições funcionam também como uma proteção jurídica, pois podem ser utilizados para que bancos e corretoras se resguardem caso um cliente questione perdas posteriormente.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE INVESTIDOR?

O conservador é o investidor com baixa tolerância a risco e que costuma priorizar liquidez. O moderado aceita oscilações médias e busca preservar o capital no longo prazo. Já o agressivo demonstra maior tolerância a risco e está disposto a enfrentar perdas potenciais em busca de retornos superiores.

Pelas regras definidas pela Anbima, sempre que o cliente declarar aversão a risco e necessidade de liquidez, ele deve ser enquadrado no perfil mais conservador adotado pela instituição, independentemente das demais respostas.

Com base nessa classificação, a CVM determina que intermediários (bancos e corretoras) não podem recomendar produtos incompatíveis com o perfil do cliente.

Isso não significa, porém, que o investidor esteja proibido de assumir riscos maiores. Caso deseje realizar uma operação fora do seu perfil, ele pode fazê-lo, desde que a instituição o alerte formalmente e que o cliente assine uma declaração de ciência dos riscos envolvidos.

Apesar das definições formais, os especialistas afirmam que a divisão rígida em três perfis é limitada e não reflete a dinâmica da vida financeira real. Carlos Castro diz que o investidor não “é” conservador, moderado ou agressivo, mas “está” em um desses estados, dependendo do contexto.

Além disso, disposição para assumir risco não é o mesmo que capacidade. Uma pessoa pode ter predisposição para enfrentar oscilações maiores, mas não significa que deve fazer isso.

Na avaliação de Castro, o momento de vida importa: filhos pequenos, casamento, alta dependência financeira ou compromissos relevantes são algumas das situações que podem reduzir a capacidade real de assumir perdas –mesmo quando a vontade de correr risco existe.

Na aposentadoria, independentemente da predisposição ao risco, a margem para erros diminui muito, pois o investidor não tem novos recursos entrando para compensar eventuais perdas.

O perfil muda, diz Viriato, porque os objetivos e as circunstâncias das pessoas não são estáticos. Metas financeiras se transformam e a renda também exerce influência sobre a tolerância a risco.

É comum, por exemplo, que investidores com alto rendimento se sintam confortáveis para assumir mais oscilação, mas se tornem mais conservadores quando esse fluxo diminui. O mesmo ocorre em mudanças de carreira, como quando uma pessoa decide empreender e passa a rejeitar a volatilidade porque já enfrenta incertezas suficientes no próprio negócio.

PERFIL DA CARTEIRA E DIFERENTES TIPOS DE INVESTIMENTO

Para Castro, da Planejar, mais do que rotular a pessoa, o perfil deve ser atribuído à carteira. Um mesmo investidor pode assumir mais risco em determinados momentos, mas manter aplicações conservadoras para objetivos específicos, como a reserva de emergência.

A diferença entre renda fixa e variável está principalmente na previsibilidade: a primeira oferece retornos mais estáveis e costuma formar a base de carteiras conservadoras, enquanto a segunda envolve oscilação e tende a ser mais adequada a metas de longo prazo ou fases da vida em que há preparo para lidar com volatilidade.

Os especialistas destacam que, independentemente do momento, a diversificação ajuda a atravessar mudanças nos ciclos econômicos.

Para Viriato, o conceito brasileiro de conservadorismo, muito associado à aversão à oscilação, deve ser revisto. Um investimento de longo prazo pode oscilar bastante no curto prazo e, ainda assim, ser a forma mais conservadora de garantir um objetivo. Para ele, conservador é quem atinge seu objetivo financeiro com mais certeza; já o agressivo é quem não tem essa segurança.

Na prática, investidores que priorizam previsibilidade tendem a concentrar a carteira em aplicações como caderneta de poupança, títulos de grandes bancos, Tesouro Selic e fundos de renda fixa.

Quem aceita alguma oscilação em busca de retornos maiores (perfil moderado) equilibra renda fixa e renda variável, enquanto aqueles com maior tolerância a risco costumam ter participação mais significativa em ativos sujeitos a variações de mercado, como ações.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA E COMO COMEÇAR A INVESTIR

Quem está dando os primeiros passos deve começar investindo no que conhece e, com o tempo, buscar informação para ampliar gradualmente o repertório. Castro recomenda priorizar conteúdos produzidos por instituições independentes, como CVM e Anbima, antes de seguir influenciadores ou orientações de instituições financeiras.

Viriato diz que o aprendizado no mercado financeiro se constrói pela combinação entre estudo e prática. Segundo ele, é ao vivenciar a oscilação do mercado que o investidor realmente aprende a lidar com o próprio perfil.

Leia Também: Oito investigados prestam depoimentos à PF no inquérito do Banco Master nesta semana

Fonte

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