Transição para o novo sistema tributário exige revisão estrutural imediata; empresas que ignorarem o regime vigente podem comprometer resultados financeiros futuros.
O Brasil caminha para a maior reestruturação tributária das últimas décadas sob o discurso oficial de simplificação e modernização. Mas, fora do ambiente político, o cenário empresarial revela outro quadro: insegurança técnica, ausência de planejamento estruturado e uma cultura silenciosa de inação que pode custar bilhões às companhias antes mesmo da plena implementação do novo sistema.
A Reforma Tributária ainda está em fase de regulamentação, mas os efeitos da transição já começam a impactar decisões estratégicas. Regulamentos incompletos, interpretações divergentes e falta de uniformidade técnica criam um ambiente de risco operacional relevante.
Para Luciano Menezes, CEO da B2WE Brasil – Assessoria Tributária e Empresarial, o problema não está apenas na complexidade normativa, mas na forma como o mercado vem reagindo a ela.
“O maior risco não é a Reforma Tributária. É a inação diante do que ainda pode ser feito antes dela.”
– Luciano Menezes, CEO da B2WE Brasil
Segundo Menezes, parte significativa das empresas, especialmente as optantes pelo Lucro Real aind,a não revisou bases históricas de cálculo, não auditou premissas utilizadas nos últimos anos e não reavaliou a correta apuração de créditos federais.
O prazo é objetivo: dezembro de 2026.
Após esse marco, o período de transição poderá encerrar oportunidades que ainda estão juridicamente disponíveis no regime atual.
Inércia institucional e risco financeiro
O especialista chama atenção para um fenômeno recorrente no ambiente corporativo brasileiro: a dependência de rotinas automatizadas e a reprodução de procedimentos históricos sem revisão crítica.
No campo contábil, observa-se a repetição mecânica de práticas antigas.
No campo jurídico, a multiplicação de teses padronizadas sem integração estratégica com a realidade financeira das companhias.
O resultado, segundo Menezes, é silencioso — e perigoso.
Bilhões de reais permanecem “esquecidos” nas demonstrações financeiras por ausência de auditoria técnica aprofundada.
– Luciano Menezes, CEO da B2WE Brasil
Conselho, CFO e responsabilidade estratégica
Em março de 2026, a pergunta não deveria ser se a empresa está acompanhando a Reforma.
A pergunta deveria ser:
- O Conselho de Administração incluiu a revisão da não cumulatividade como pauta estratégica?
- O CFO exigiu auditoria técnica sobre créditos federais dos últimos cinco anos?
- A presidência tem segurança de que não está abrindo mão de direitos vigentes?
A omissão técnica pode gerar impacto financeiro e reputacional.
Empresas que, em 2027, identificarem que deixaram valores relevantes de serem recuperados poderão enfrentar questionamentos internos, pressão de acionistas e eventuais responsabilizações por falha de governança.
A Reforma começa antes da nova alíquota
A implementação formal do novo sistema é apenas a parte visível da mudança.
A verdadeira Reforma começa na preparação:
- Revisão estrutural
- Auditoria de premissas
- Integração entre contabilidade, jurídico e estratégia empresarial
- Análise de risco reputacional associada a passivos tributários
Ignorar o regime vigente enquanto se discute o futuro pode ser um erro estratégico de alto custo.
O alerta
A Reforma não começa quando a nova alíquota entra em vigor.
- Ela começa na revisão.
- Começa na auditoria.
- Começa na coragem de questionar procedimentos antigos.
Ignorar isso pode custar caro.
Muito caro.
Reforma Tributária: Antes x Depois (Baseado na análise de Luciano Menezes)
| ANTES (2024–2026) | DEPOIS (2027 em diante) |
|---|---|
| Regime atual ainda vigente (Lucro Real com não cumulatividade ativa) | Novo modelo tributário implementado |
| Possibilidade de revisar bases de cálculo dos últimos 5 anos | Transição encerrando oportunidades do regime anterior |
| Créditos federais ainda recuperáveis | Créditos não revisados podem se tornar perda definitiva |
| Espaço para auditoria técnica preventiva | Correções passam a ter caráter defensivo |
| Margem para reestruturação estratégica | Ajustes passam a ser reativos |
| Governança pode agir preventivamente | Conselhos podem responder por omissão |
| CFO pode exigir revisão profunda de premissas históricas | CFO passa a explicar perdas não identificadas antes |
| Empresa ainda controla a narrativa | Empresa pode enfrentar pressão de acionistas |
| Preparação estrutural é diferencial competitivo | Inércia vira passivo financeiro e reputacional |
| Reforma é risco futuro | Inação vira dano concreto |
