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O fim da taxa das blusinhas e a nova pressão sobre o varejo brasileiro: o consumidor ficou global, mas o custo do Brasil continua local

O anúncio do fim da chamada “taxa das blusinhas” reacendeu um dos debates mais relevantes do varejo brasileiro em 2026: até onde o varejo nacional consegue competir em um mercado cada vez mais globalizado, digital e orientado por preço?

A retirada do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, dentro do programa Remessa Conforme, deve aumentar novamente a competitividade das plataformas internacionais no Brasil, especialmente em categorias como moda, acessórios, utilidades domésticas, eletrônicos de entrada e itens de compra por impulso.

Para o consumidor, o movimento tende a gerar impacto imediato positivo, principalmente em um cenário ainda marcado por juros elevados, renda pressionada, alto endividamento das famílias e perda de poder de compra.

Por outro lado, a mudança amplia ainda mais a pressão sobre o varejo nacional, que já opera em um ambiente estruturalmente mais caro e complexo.

O consumidor mudou, e o varejo precisa acompanhar

Para Paulo Brenha, diretor comercial e especialista em estratégia de varejo, expansão e experiência do cliente, o movimento representa muito mais do que uma simples alteração tributária.

“O consumidor brasileiro se tornou global. Hoje ele compara preço, prazo, experiência e conveniência em tempo real. A competição deixou de ser apenas entre empresas nacionais. Agora o varejo brasileiro disputa atenção e orçamento diretamente com gigantes internacionais que operam em escala mundial”, analisa.

Segundo Brenha, o cenário acelera uma transformação que já vinha acontecendo silenciosamente nos últimos anos: o fortalecimento de um consumidor mais digital, menos fiel às marcas tradicionais e extremamente orientado à percepção de valor.

O custo do Brasil continua sendo um dos maiores desafios

Enquanto plataformas internacionais operam com estruturas mais leves e capacidade agressiva de precificação, empresas brasileiras seguem convivendo com:

  • alta carga tributária
  • logística cara
  • crédito elevado
  • custos trabalhistas
  • energia e operação mais caras
  • pressão crescente sobre margem

O impacto tende a ser ainda mais relevante em segmentos de menor ticket médio, como:

  • moda popular
  • acessórios
  • utilidades domésticas
  • varejo digital de entrada
  • pequenos lojistas locais

“Hoje muitos varejistas nacionais não competem apenas em preço. Eles competem contra diferenças estruturais de custo extremamente desiguais”, explica Paulo Brenha.

Outro ponto importante é que, apesar do fim do imposto federal, o ICMS continua incidindo sobre compras internacionais em diversos estados, o que mantém parte da tributação nas operações de cross-border.

O varejo entra em uma nova era competitiva

A discussão vai além da questão tributária.

Na prática, o fim da taxa simboliza a consolidação de um novo comportamento de consumo:

  • mais digital
  • mais global
  • mais sensível a preço
  • menos fiel
  • mais orientado por conveniência e experiência

Para especialistas do setor, o varejo brasileiro vive um momento de redefinição estratégica.

A desaceleração de margens, o avanço do e-commerce internacional e o aumento da seletividade do consumo pressionam empresas a repensarem:

  • pricing
  • eficiência operacional
  • experiência do cliente
  • fidelização
  • CRM
  • logística
  • construção de marca

Eficiência deixa de ser diferencial e vira sobrevivência

Na visão de Paulo Brenha, o varejo brasileiro precisará acelerar sua maturidade operacional e estratégica para sobreviver nesse novo ambiente.

“O varejo entra definitivamente em uma nova era. Agora não basta apenas vender produto. Será necessário construir relacionamento, experiência, recorrência e percepção de valor. Eficiência operacional e inteligência comercial deixam de ser diferencial. Passam a ser questão de sobrevivência”, afirma.

Entre os caminhos apontados para enfrentar o novo cenário estão:

  • fortalecimento da experiência do cliente
  • gestão inteligente de dados
  • CRM e fidelização
  • eficiência operacional
  • conveniência
  • diferenciação de marca
  • integração entre físico e digital

Mais do que uma mudança tributária, o fim da taxa das blusinhas expõe um novo equilíbrio competitivo no mercado brasileiro.

E nele, o consumidor já não compara apenas o shopping da cidade ou o marketplace nacional.

Ele compara o mundo inteiro.

Paulo Brenha é executivo de varejo e Customer Experience, com mais de 15 anos de atuação em grandes empresas de consumo e serviços. Diretor Comercial, LinkedIn Top Voice e uma das vozes mais influentes do Brasil em CX, Varejo e Comunicação, atua na interseção entre estratégia, vendas, experiência do cliente e desenvolvimento de pessoas, ajudando organizações a crescerem com propósito e resultado.

Com sólida formação acadêmica, incluindo programas na Fundação Dom Cabral, Harvard, MIT, FGV, FIA, PUCRS e especializações em Neuromarketing, Neuroeconomia e comportamento do consumidor pelo IBN, Paulo é reconhecido por transformar estratégia em execução prática, liderar times de alta performance e gerar impacto sustentável nos negócios.

Autor, palestrante e criador de conteúdos estratégicos, compartilha reflexões sobre liderança, varejo, inovação e performance comercial, sempre com foco em pessoas, consistência e geração de valor no longo prazo.

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