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JurídicoO custo da omissão é maior que o custo do erro

O custo da omissão é maior que o custo do erro

Especialista em performance fiscal, tributária e financeira, Luciano Menezes analisa por que a inação estratégica corrói valor de forma silenciosa nas empresas

No ambiente corporativo, consolidou-se a ideia de que o maior risco para uma organização está na decisão equivocada. Conselhos analisam falhas estratégicas, auditorias identificam erros operacionais e executivos são cobrados por movimentos que não produziram o resultado esperado.

Entretanto, a experiência prática revela uma realidade menos evidente e, frequentemente, mais onerosa. Empresas não perdem valor apenas por decisões erradas. Perdem, sobretudo, por decisões que deixam de ser tomadas.

A omissão executiva raramente se apresenta como crise imediata. Não provoca colapso repentino nem altera drasticamente os indicadores no curto prazo. Sua característica é a progressividade. Trata-se de um processo silencioso de erosão de margem, competitividade e capacidade estratégica.

“A inação não é neutra. Ela representa a escolha implícita por manter desperdícios, vulnerabilidades e ineficiências estruturais.” – Luciano Menezes

A postergação de decisões estruturais costuma ser justificada como prudência. O excesso de análise é confundido com responsabilidade. A cautela é defendida como virtude gerencial. No entanto, como ressalta Luciano Menezes, especialista em performance fiscal, tributária e financeira, existe uma diferença clara entre prudência técnica e paralisia decisória.

Enquanto temas críticos permanecem em discussão, o mercado continua avançando.

Custos deixam de ser revisados. Modelos tributários permanecem inalterados. Estruturas operacionais envelhecem. Oportunidades legítimas de eficiência deixam de ser capturadas.

Em muitos casos, a organização continua faturando e mantendo estabilidade aparente. O fluxo de caixa segue regular. A operação funciona. Essa normalidade cria a sensação de segurança que mascara o problema.

A deterioração ocorre por acúmulo.

Margens que poderiam ser ampliadas permanecem comprimidas. Créditos fiscais não identificados transformam-se em perda permanente. Rubricas da folha de pagamento continuam oneradas além do necessário. Processos financeiros operam abaixo do potencial.

Isoladamente, cada ponto pode parecer irrelevante. Em conjunto, formam uma estrutura menos competitiva, e o mercado tende a ser mais tolerante com o erro do que com a estagnação.


“Uma decisão mal calibrada pode gerar aprendizado, ajustes e evolução organizacional. A omissão, por outro lado, preserva o conforto imediato, mas amplia o risco futuro.”
Luciano Menezes

A diferença entre liderança estratégica e gestão reativa está justamente na disposição para enfrentar decisões estruturais antes que o mercado imponha a correção.

No campo fiscal, tributário e financeiro, essa dinâmica é ainda mais sensível. O ambiente regulatório brasileiro é complexo e dinâmico. Nesse contexto, tratar tributo apenas como obrigação acessória é limitar a capacidade estratégica da empresa.

Luciano Menezes observa que organizações que não revisam periodicamente sua estrutura tributária tendem a internalizar custos adicionais como se fossem inevitáveis. Empresas que não analisam tecnicamente sua folha de pagamento deixam de identificar oportunidades legítimas de otimização. Companhias que não monitoram créditos e conformidades reduzem margem sem perceber.

O impacto raramente é abrupto. Ele se acumula ao longo dos ciclos.

O caixa perde flexibilidade. A margem ajusta-se para baixo. A capacidade de investimento diminui. O valor da empresa é afetado.

Ao longo de sua atuação em projetos de performance fiscal e financeira com empresas de médio e grande porte, Luciano Menezes identifica um padrão consistente. Organizações que promovem revisões estruturais periódicas preservam competitividade e ampliam previsibilidade. Já aquelas que postergam decisões estratégicas acabam institucionalizando ineficiências como padrão operacional.

Para o especialista, governança corporativa não se limita à conformidade regulatória. Ela exige ação deliberada sobre riscos e oportunidades. Implica revisar premissas, questionar estruturas históricas e corrigir rotas com base em dados objetivos.

Estratégia não é um documento anual arquivado após aprovação. É um processo contínuo de decisão, monitoramento e ajuste.

“O mercado costuma ser mais tolerante com o erro técnico do que com a estagnação estratégica. Uma decisão equivocada pode ser corrigida. Uma estrutura ineficiente mantida por inércia compromete anos de geração de valor.” – Luciano Menezes

Executivos que compreendem essa dinâmica assumem riscos calculados apoiados em método e informação. Não aguardam o cenário ideal para agir. Entendem que o custo da espera pode superar o custo do ajuste.

Em ambientes competitivos e regulatórios complexos, a inação não representa neutralidade. Representa escolha implícita por manter desperdícios, vulnerabilidades e limitações estruturais.

O maior risco para a empresa contemporânea não é errar tentando evoluir. É permanecer imóvel diante de evidências técnicas que exigem decisão.

No longo prazo, o mercado não penaliza quem ajusta rota. Penaliza quem deixa de conduzir o próprio processo de transformação.

E, sob essa perspectiva, torna-se evidente: o custo da omissão tende a ser maior, e mais duradouro, do que o custo do erro.

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