27.5 C
Brasília
Últimas NotíciasJaneiro Branco e carreira: por que mulheres bem-sucedidas estão emocionalmente exaustas?

Janeiro Branco e carreira: por que mulheres bem-sucedidas estão emocionalmente exaustas?

Palestrante e mentora de desenvolvimento humano, Silvana Forcelini analisa como a pressão por performance, a síndrome da impostora e a expectativa de “dar conta de tudo” impactam decisões de carreira e a saúde emocional feminina

São Paulo, janeiro de 2026 – A busca constante por excelência profissional, reconhecimento e estabilidade tem cobrado um preço alto da saúde emocional de mulheres que, aos olhos do mercado, são consideradas bem-sucedidas. Além de performar com excelência no trabalho, muitas carregam a expectativa, explícita ou silenciosa  de dar conta de tudo: carreira, família, relações, autocuidado e vida social, sem falhar e sem demonstrar cansaço.

No contexto do Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, cresce o debate sobre como a sobrecarga emocional, a autocobrança excessiva e a pressão por resultados afetam diretamente a trajetória profissional feminina.

Dados recentes mostram que mulheres são mais impactadas por transtornos emocionais relacionados ao trabalho. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), elas representam cerca de 64% dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, com diagnósticos ligados à ansiedade, depressão e esgotamento emocional. O cenário é reforçado por estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam ansiedade e depressão como algumas das principais causas de perda de produtividade no mundo.

Para a palestrante e mentora de desenvolvimento humano Silvana Forcelini, especialista em comportamento feminino com enfoque em gestão emocional, o adoecimento emocional entre mulheres não está relacionado à fragilidade individual, mas a um modelo social e profissional que exige desempenho constante em todas as áreas da vida.

“Existe uma cobrança silenciosa para que a mulher dê conta de tudo: seja excelente profissional, boa mãe, parceira presente, emocionalmente equilibrada e ainda disponível. Sem falhar, sem parar e sem demonstrar cansaço. Isso cria um estado permanente de alerta emocional”, afirma.

Performance constante, sobrecarga invisível e medo de falhar

Segundo Silvana, muitas mulheres constroem carreiras sólidas, ocupam posições de liderança ou se destacam como empreendedoras, mas vivem internamente um sentimento constante de inadequação. A síndrome da impostora, caracterizada pela sensação de não merecimento do próprio sucesso, é um dos fatores mais presentes nesse processo.

“Mesmo com resultados concretos, muitas mulheres sentem que precisam provar o tempo todo que são boas o suficiente. O medo de falhar se soma à necessidade de dar conta de tudo, criando um ciclo de exaustão que nunca desliga”, explica.

Pesquisas sobre comportamento organizacional indicam que mulheres tendem a se autoavaliar de forma mais crítica do que homens, mesmo quando apresentam desempenho equivalente ou superior. Esse padrão contribui para níveis elevados de estresse, insegurança emocional e dificuldade na tomada de decisões profissionais.

Exaustão emocional que não aparece no currículo

A mentora destaca que a exaustão emocional feminina raramente é percebida de imediato, pois costuma ser mascarada pela alta performance e pela capacidade de seguir funcionando apesar do cansaço.

“É comum encontrar mulheres extremamente competentes, produtivas e reconhecidas que estão emocionalmente esgotadas, mas continuam funcionando no automático, tentando dar conta de tudo sozinhas”, observa.

Sintomas como cansaço constante, dificuldade de concentração, irritabilidade, insônia, sensação de culpa ao descansar e perda de prazer no trabalho são sinais frequentes de sobrecarga emocional. Ainda assim, muitos desses sinais são ignorados por medo de parecer fraqueza, incapacidade ou falta de preparo.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambientes que valorizam apenas resultados e não consideram fatores emocionais aumentam significativamente o risco de adoecimento psíquico, especialmente entre mulheres que acumulam múltiplas jornadas.

Impactos na carreira, na liderança e nas escolhas profissionais

Para Silvana Forcelini, o custo emocional dessa pressão contínua vai além da saúde mental e impacta diretamente decisões estratégicas de carreira.

“Quando a mulher está emocionalmente exausta de tentar dar conta de tudo, ela começa a se diminuir: deixa de aceitar promoções, adia projetos, evita visibilidade ou se sabota profissionalmente”, afirma.

Esse cenário contribui para a evasão feminina de cargos de liderança, para a estagnação profissional e para o aumento de afastamentos por questões emocionais. Pesquisas sobre mercado de trabalho indicam que mulheres líderes apresentam índices mais elevados de burnout em comparação a seus pares masculinos.

Gestão emocional como caminho de reconstrução

Criadora do método Reflorescer, Silvana defende que a gestão emocional é um passo essencial para que mulheres retomem clareza, autoestima e produtividade de forma saudável.

“Cuidar da saúde emocional não é parar a vida profissional, é criar condições para continuar crescendo sem se adoecer e sem carregar tudo sozinha”, pontua.

Segundo a especialista, pequenas mudanças de mentalidade e comportamento podem transformar a relação da mulher com o trabalho: estabelecer limites, revisar crenças de autoexigência, desenvolver autocompaixão e alinhar carreira aos próprios valores são práticas fundamentais nesse processo.

“O verdadeiro sucesso não é dar conta de tudo a qualquer custo, mas construir uma carreira que não custe a própria saúde”, reforça.

Janeiro Branco como ponto de partida

O Janeiro Branco surge como um convite à reflexão sobre saúde mental, mas, para Silvana, o cuidado emocional precisa ser contínuo, especialmente para mulheres que vivem sob pressão constante.

“Mulheres não precisam ser mais fortes. Precisam ser mais cuidadas — inclusive por elas mesmas. Saúde emocional é a base de qualquer carreira sustentável”, conclui.

Silvana Forcelini

Sobre a especialista

Silvana Forcelini é palestrante, mentora de desenvolvimento humano e especialista em comportamento feminino com enfoque em gestão emocional. Conduz mulheres sobrecarregadas e estagnadas à clareza e à produtividade de forma consciente e sustentável. Cristã, mãe atípica e criadora do método Reflorescer, é formada em Desenvolvimento Humano, com pós-graduação em Psicologia Clínica, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Psicologia Organizacional e Comportamento Humano. Atua com mentorias, palestras e projetos voltados ao fortalecimento emocional e profissional de mulheres.

Mais notícias

Quando a máquina enxerga o que o olho humano não vê: a revolução silenciosa no diagnóstico do câncer de pulmão

Imagine descobrir um câncer de pulmão quando ele ainda é do tamanho de uma ervilha, antes mesmo de causar qualquer sintoma. Parece ficção científica,...

Carnaval, estética e saúde: cuidados essenciais para o corpo em um dos períodos mais intensos do ano

Especialista em estética alerta para escolhas conscientes no verão e faz um alerta sobre o uso indiscriminado do Mounjaro durante o CarnavalCom a chegada...

Saúde emocional como base da qualidade de vida: por que cuidar da mente deixou de ser opcional

Para a psicóloga Andréa Almeida Bertin, saúde psicológica é um compromisso diário que impacta diretamente o bem-estar e o desempenho humanoDurante muito tempo, saúde...

Janeiro Branco: falar de saúde mental no trabalho é uma urgência, não um luxo

Psicóloga Dra. Helena Rol alerta que o adoecimento emocional já impacta produtividade, relações profissionais e a sustentabilidade das empresasSão Paulo, janeiro de 2026 –...

Alta performance ou exaustão? Especialista alerta para o limite invisível entre o sucesso e o colapso emocional no ambiente corporativo

Terapeuta holístico integrativo Daniel Nóbrega explica como a confusão entre produtividade e sobrevivência emocional tem levado líderes e profissionais ao esgotamento silenciosoNo cenário corporativo...

A imprensa voltou a mandar na reputação, e quem apostou só em rede social ficou nu

Quando a crise estoura, o feed desaparece. O que fica é o histórico — e a reputação registrada na imprensa passa a decidir quem se defende e quem fica exposto.